Dr. Flávio Ponce

Blog Endometriose

Bem-vinda ao nosso espaço de perguntas e respostas, criado para esclarecer as dúvidas mais comuns sobre endometriose. Como seu médico, Dr. Flávio Ponce, meu objetivo é fornecer informações claras e confiáveis para que você se sinta mais segura e informada durante sua jornada. Lembre-se que este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica individualizada.

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Além do Bisturi: A Importância das Terapias Adjuvantes

A cirurgia é uma ferramenta fundamental para remover as lesões de endometriose, mas a jornada do tratamento não termina aí. A endometriose é uma doença inflamatória crônica, e uma abordagem multidisciplinar é essencial para o sucesso a longo prazo. Terapias adjuvantes, como a nutrição e a fisioterapia pélvica, são pilares para a recuperação completa da qualidade de vida.

1. Nutrição Anti-inflamatória: A cirurgia remove a lesão, mas a nutrição ajuda a "limpar o terreno". Uma dieta rica em ômega-3, antioxidantes e fibras ajuda a diminuir a inflamação sistêmica, aliviando sintomas como distensão abdominal e dor, e pode reduzir o risco de recorrência.

2. Fisioterapia Pélvica: Anos de dor crônica criam uma tensão muscular involuntária no assoalho pélvico. Mesmo após a cirurgia, essa tensão pode permanecer, causando dor. A fisioterapia atua para relaxar e "reeducar" essa musculatura, sendo vital na reabilitação pós-cirúrgica para restaurar a função normal e aliviar dores residuais, como a dor na relação sexual.

O objetivo do tratamento não é apenas remover a doença, mas restaurar por completo a sua saúde e bem-estar, e isso é alcançado com a união da cirurgia de excelência com um suporte terapêutico completo.

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Como é a recuperação após a cirurgia de endometriose?

A recuperação varia conforme a complexidade da cirurgia, mas a maioria dos procedimentos é feita por videolaparoscopia, que é minimamente invasiva. Geralmente, a alta hospitalar ocorre em 1 ou 2 dias. É normal sentir algum desconforto e inchaço abdominal na primeira semana. Recomenda-se repouso relativo, evitando esforços físicos intensos por cerca de 15 a 30 dias. Caminhadas leves são incentivadas logo nos primeiros dias para ajudar na recuperação e prevenir trombose. O retorno ao trabalho e às atividades normais ocorre gradualmente, conforme a orientação médica individualizada para cada caso.

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Qual a diferença entre Endometriose e Adenomiose?

Embora tenham nomes parecidos e sintomas semelhantes (cólica intensa e sangramento aumentado), são doenças distintas. Na endometriose, o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero (nos ovários, intestino, bexiga, etc.). Já na adenomiose, esse tecido cresce para dentro da parede muscular do próprio útero (o miométrio), deixando-o mais volumoso e inflamado. É importante destacar que as duas condições podem coexistir na mesma paciente. O diagnóstico preciso é fundamental, pois as abordagens de tratamento podem ser diferentes.

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Endometriose pode virar câncer?

Esta é uma preocupação muito comum, mas é importante esclarecer: a endometriose é uma doença benigna e não é câncer. Estudos mostram que existe uma associação estatística muito pequena entre a endometriose (principalmente a ovariana, o endometrioma) e um risco ligeiramente aumentado para certos tipos de câncer de ovário. No entanto, o risco absoluto para uma paciente individualmente ainda é muito baixo. A transformação maligna de um foco de endometriose é um evento extremamente raro. O mais importante é manter o acompanhamento regular com seu médico para monitorar a doença e cuidar da sua saúde de forma geral.

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O que acontece com a Endometriose na Menopausa?

Como a endometriose é uma doença dependente do estrogênio, a tendência é que os sintomas melhorem significativamente com a chegada da menopausa, quando os ovários param de produzir este hormônio. Na maioria dos casos, as lesões regridem e a dor cessa. No entanto, mulheres que fazem terapia de reposição hormonal podem, em alguns casos, reativar os focos da doença. Além disso, as aderências (cicatrizes) formadas pela endometriose ao longo dos anos não desaparecem, podendo continuar a causar algum desconforto ou dor pélvica.

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5 Mitos sobre a Endometriose que Você Precisa Esquecer

1. "Gravidez cura a endometriose": Falso. A gravidez pode suprimir os sintomas temporariamente devido às alterações hormonais, mas não elimina a doença.
2. "É apenas uma cólica muito forte": Errado. A dor da endometriose é incapacitante e causada por um processo inflamatório crônico que precisa de tratamento.
3. "Histerectomia (retirada do útero) é a cura definitiva": Nem sempre. Se houver focos da doença fora do útero, eles podem continuar ativos e gerar dor.
4. "É uma doença rara": Falso. A endometriose afeta cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva no mundo.
5. "Se tenho endometriose, nunca vou engravidar": Mito. Embora possa causar infertilidade, muitas mulheres com endometriose conseguem engravidar, seja naturalmente ou com tratamento.

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Endometriose Intestinal: Quais os sintomas e quando operar?

A endometriose intestinal ocorre quando a doença infiltra as paredes do intestino, mais comumente o reto e o sigmoide. Os sintomas mais específicos incluem dor para evacuar (geralmente pior no período menstrual), inchaço abdominal, diarreia ou constipação cíclica e, em casos mais raros, sangramento nas fezes. A cirurgia é indicada principalmente quando há um alto risco de obstrução intestinal, quando os sintomas são muito intensos e não melhoram com o tratamento clínico, ou quando a doença afeta múltiplos órgãos. A decisão é sempre individualizada, baseada na gravidade dos sintomas e no impacto na qualidade de vida da paciente.

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Por que o acompanhamento psicológico é importante?

A jornada com a endometriose pode ser muito desafiadora. Lidar com dor crônica, incertezas sobre o diagnóstico, tratamentos contínuos e possíveis impactos na fertilidade e na vida sexual pode gerar um estresse emocional significativo, levando a quadros de ansiedade e depressão. O acompanhamento psicológico oferece um espaço de acolhimento e escuta, fornecendo ferramentas para que a paciente possa lidar melhor com as emoções, desenvolver estratégias para o manejo da dor, fortalecer sua autoestima e melhorar sua qualidade de vida de forma integral.

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A alimentação pode influenciar nos sintomas da endometriose?

Sim, a alimentação desempenha um papel importante no controle da inflamação sistêmica associada à endometriose. Uma dieta com perfil anti-inflamatório, rica em vegetais, frutas, gorduras saudáveis (como ômega-3, presente em peixes e sementes) e grãos integrais, pode ajudar a modular a resposta inflamatória do corpo e, consequentemente, aliviar sintomas como cólicas e dor pélvica. Por outro lado, alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gorduras saturadas e glúten (para algumas pacientes sensíveis) podem agravar o quadro inflamatório e intensificar a dor.

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Qual o papel da Fisioterapia Pélvica no tratamento?

A fisioterapia pélvica é uma aliada fundamental no tratamento da endometriose, focando principalmente no alívio da dor. A dor crônica gerada pela doença causa uma tensão involuntária e persistente na musculatura do assoalho pélvico. A fisioterapia atua com técnicas de liberação miofascial, exercícios de relaxamento e consciência corporal para aliviar esses espasmos musculares, diminuir a dor durante a relação sexual e melhorar a função urinária e intestinal. Ela pode ser indicada tanto no tratamento clínico quanto no preparo e reabilitação após a cirurgia.

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A endometriose pode voltar após o tratamento?

Sim. Por ser uma doença crônica, a endometriose pode ter recorrência, mesmo após uma cirurgia bem-sucedida. A taxa de retorno dos sintomas ou das lesões pode variar. Por isso, o acompanhamento médico contínuo é fundamental. Muitas vezes, um tratamento clínico com hormônios é recomendado após a cirurgia para minimizar o risco de a doença voltar e manter a qualidade de vida da paciente a longo prazo.

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O que é endometriose profunda?

A endometriose profunda é a forma mais infiltrativa da doença. Por definição, ocorre quando as lesões penetram mais de 5 milímetros nos tecidos ou órgãos. Ela frequentemente afeta os ligamentos que sustentam o útero, o septo retovaginal (espaço entre a vagina e o reto), o intestino e a bexiga. É a forma que mais causa dor e que exige uma equipe cirúrgica altamente especializada para seu tratamento.

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A cirurgia é sempre necessária para tratar a endometriose?

Não, a cirurgia não é a primeira nem a única opção. Ela é reservada para casos específicos: quando a dor é severa e não responde ao tratamento clínico, quando há lesões grandes que comprometem a função de órgãos como intestino, bexiga ou ureteres, ou em alguns casos de infertilidade. A decisão pela cirurgia é sempre uma escolha compartilhada entre médico e paciente, pesando os riscos e benefícios.

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A endometriose pode causar infertilidade?

Sim, a endometriose é uma das principais causas de infertilidade. A doença pode distorcer a anatomia da pelve, obstruir as trompas, criar um ambiente inflamatório que prejudica a qualidade dos óvulos e a implantação do embrião. No entanto, é crucial entender que ter endometriose não significa que você não possa engravidar. Muitas mulheres conseguem a gestação, seja de forma natural, após o tratamento cirúrgico ou com o auxílio de técnicas de reprodução assistida.

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Como a endometriose é diagnosticada?

O diagnóstico começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas e um exame físico ginecológico. A suspeita é então investigada com exames de imagem de alta qualidade, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve. Estes exames são essenciais para mapear as lesões. O diagnóstico definitivo é confirmado pela videolaparoscopia, um procedimento cirúrgico que permite visualizar e biopsiar as lesões.

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Como é feito o tratamento para a endometriose?

O tratamento é altamente individualizado e depende dos sintomas, da idade, do desejo de engravidar e da gravidade da doença. As opções incluem: Tratamento Clínico, com o uso de medicamentos hormonais (como pílulas anticoncepcionais contínuas ou DIU hormonal) para suprimir a menstruação e controlar a dor; e o Tratamento Cirúrgico, indicado quando o tratamento clínico falha, há endometriomas (cistos nos ovários) ou a doença é extensa. A cirurgia, preferencialmente por videolaparoscopia ou robótica, visa remover todos os focos visíveis da doença, aliviar a dor e restaurar a anatomia normal, melhorando a qualidade de vida e a fertilidade.

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Quais os principais sintomas da endometriose?

Os sintomas variam muito de mulher para mulher, mas os mais comuns são: cólicas menstruais incapacitantes que não melhoram com analgésicos comuns; dor pélvica crônica (presente mesmo fora do período menstrual); dor profunda durante ou após a relação sexual; dor para evacuar ou urinar, especialmente durante a menstruação; sangramento menstrual intenso ou irregular; e dificuldade para engravidar (infertilidade). É importante ressaltar que a intensidade da dor nem sempre corresponde à extensão da doença.

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O que é endometriose?

Endometriose é uma condição inflamatória crônica na qual um tecido semelhante ao endométrio (o revestimento interno do útero) cresce fora da cavidade uterina. Esses implantes de tecido podem ser encontrados nos ovários, trompas, na superfície externa do útero, nos ligamentos que o sustentam e, em casos mais severos, no intestino, bexiga e outros órgãos. A cada ciclo menstrual, esse tecido ectópico responde aos estímulos hormonais, causando inflamação, sangramento, dor e a formação de aderências (cicatrizes), que podem unir órgãos que deveriam ser separados.

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